Hoje
é o dia 25 de Abril e, por isso, celebramos mais um aniversário de um dos
eventos mais marcantes da nossa história. Decorreram já 42 anos desde que a
revolução dos cravos aconteceu, trazendo consigo a esperança da liberdade e do
desenvolvimento. Quanto a mim, contando com este, é já o 11º ano que tenho a
honra de aqui proferir um discurso alusivo ao 25 de Abril de 1974. Em todos
eles, se bem me recordo, falei da importância da conquista de direitos
fundamentais. Por várias vezes referi a inevitabilidade da repetição, porque ao
falar-se da revolução de Abril tem que se falar forçosamente de liberdade e de
democracia. Da mesma forma que, ao falar do 25 de abril e da democracia,
invariavelmente invoco o 25 de Novembro de 1975, homenageando os seus protagonistas
por nos terem colocado no rumo certo, precisamente o da liberdade e da
democracia.
Sempre
entendi que a celebração desta data deve servir para fazermos uma reflexão
sobre o cumprimento dos valores de Abril, consolidados no 25 de Novembro,
designadamente no que diz respeito ao exercício da política. A este propósito,
porque entendo oportunas e pertinentes, citarei as palavras de uma figura
proeminente e incontornável do CDS-PP e do panorama político nacional, o
deputado europeu, Dr. Nuno Melo. Dizia ele numa intervenção na Assembleia
Municipal de Vila Nova de Famalicão que “ A democracia não são proclamações
políticas nomeadamente em discursos de 25 de Abril, é mesmo o povo através das
suas escolhas, que são sempre soberanas. Quer se goste quer não se goste, quer
concorde ou não se concorde só se celebra Abril respeitando essas escolhas”.
Palavras que subscrevo integralmente. Viver em democracia significa também ter
a capacidade de defender os nossos ideais e as nossas
convicções, sem impor a nossa vontade e respeitando quem pensa diferente. Não
há liberdade, já o disse e reitero, sem responsabilidade e sem respeito.
A
política e o exercício de cargos políticos deveria ter sempre subjacente o
interesse público. Sabemos que, infelizmente, nem sempre tal acontece.
Assistimos, cada vez mais céticos e desesperançados, à inversão das
prioridades, prevalecendo interesses individuais ou de determinados grupos em
detrimento do interesse do coletivo, do povo. Cansamo-nos das palavras de
circunstância, tantas vezes em contradição com os atos. Apetece dizer: palavras
leva-as o vento. Urge pôr em prática o que se apregoa. Começar por respeitar o
significado da expressão “ a palavra dada, palavra honrada”. Ambicionar a
vivência em democracia na sua máxima plenitude. Com responsabilidade e com
respeito. Com capacidade para discernir o certo e o errado tendo em conta o tal
interesse público, mesmo, ou principalmente, quando o certo esteja do lado do
outro partido. Isso sim, revelaria uma democracia com maturidade.
Não
devemos, contudo, deixar de perseguir essa meta. Cada um de nós, no exercício
de qualquer cargo ou enquanto cidadão, deve, com as ferramentas de que cada um
dispõe, almejar sempre o melhor. O melhor para o mundo, o melhor para o nosso
país, o melhor para a nossa terra. Com ambição e com honestidade, sempre com o
interesse público como valor supremo a defender.
Enquanto
autarcas, devemos ter Vieira do Minho no coração. São as nossas gentes, é a
nossa Terra. Queremos desenvolver, modernizar, cuidar e preservar. Importa
referir, porque é verdade, que o nosso concelho vive tempos de um dinamismo
animador, que se reflete num maior bem estar da nossa população, fruto de um
excelente trabalho que se tem vindo a desenvolver. Reconhecer este facto,
inegável, não pode nem deve ser considerada uma fraqueza, antes revela
integridade e maturidade política. Há ainda muito a fazer, com certeza. Como
tal, continuemos, todos, autarcas e munícipes, a defender os interesses de
Vieira do Minho e dos Vieirenses. O caminho está traçado. Percorramo-lo. Com
liberdade, responsabilidade e respeito, para que também aqui se cumpra melhor
Abril.
Viva
o 25 de Abril
Viva
Vieira do Minho
Viva
Portugal
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